Arquivos do caso Epstein têm citação a jovem pobre da periferia de Natal; veja
13/02/2026
(Foto: Reprodução) MPF investiga possível conexão do Brasil com rede de Epstein
Um dos milhões de novos documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos relacionados às investigações sobre o escândalo de Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais como exploração de menores, liga o magnata a uma jovem de Natal.
A jovem é citada em uma troca de emails de 2011, entre Epstein e uma mulher identificada apenas como Alexia, que demonstra certa intimidade em sucessivas trocas de mensagem com ele - inclusive com trechos de mensagens em português.
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Em um dos diálogos, ela fala sobre viajar para os EUA com uma jovem que vive nos arredores de Natal, vinda de uma origem simples e pobre, supostamente para conhecer o financista. A idade da jovem não é informada.
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Reprodução
Na mesma troca de emails a mulher pede dinheiro ao magnata para fazer passaporte e tirar o visto da jovem.
Alexia ainda afirma ao financista que estava em Natal e sugere que a jovem vá junto com ela a Nova York, porque não fala inglês e nunca viajou antes.
Investigação
O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para investigar a possível conexão do Brasil com a rede do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Uma denúncia foi registrada no MPF do Rio Grande do Norte, e caso passou a ser analisado pela Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), em Brasília.
O MPF não deu detalhes do caso e informou que as investigações correm em sigilo, "dada a sensibilidade do tema e a necessidade de proteção das vítimas".
"A UNTC acompanha a divulgação dos arquivos do caso e está atenta aos fatos que envolvem cidadãos brasileiros ou que tenham sido praticados no Brasil", informou o MPF.
Jeffrey Epstein
Jornal Nacional/ Reprodução
Caso Epstein
O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein tramitava há anos na Justiça americana. As primeiras denúncias formais contra o bilionário surgiram em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida (EUA), o investigou por abuso sexual de menores.
Na época, ele afirmou que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos.
Segundo a acusação, o bilionário abusou de menores ou recrutou garotas para atos sexuais entre 2002 e 2005. Em 2008, ele se declarou culpado pelo crime de exploração de menores e firmou um acordo para cumprir 13 meses de prisão e pagar indenizações às vítimas.
Em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal. Em julho do mesmo ano, Epstein foi preso e formalmente acusado de abuso de menores e de operar uma rede de exploração sexual.
Segundo a acusação, entre 2002 e 2005, Epstein pagava centenas de dólares para que meninas fossem até seus imóveis e realizassem atos sexuais. As jovens também eram incentivadas a recrutar outras garotas com o mesmo objetivo.
Dezenas de mulheres acusaram Epstein de forçá-las a prestar serviços sexuais a ele e a convidados em uma ilha particular no Caribe e em casas que ele mantinha em Nova York, na Flórida e no Novo México.
De acordo com o governo dos EUA, o bilionário explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade.
À época, promotores federais defenderam que Epstein deveria permanecer preso até o julgamento. Eles afirmaram que a “riqueza exorbitante” do empresário, além da posse de aviões privados e dos laços internacionais que mantinha, poderia facilitar uma fuga.
Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019. A autópsia concluiu que ele tirou a própria vida. Dois dias antes de morrer, o bilionário assinou um testamento deixando um patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões.
Após a morte do empresário, as acusações contra ele foram retiradas. No entanto, procuradores afirmaram que poderiam responsabilizar outras pessoas envolvidas no esquema. Advogados das vítimas também prometeram buscar indenizações na Justiça.
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